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Textos
Véspera de eleição:Brasil insone
Brasil Insone

Poema-manifesto

O Brasil passa a noite acordado.
Está insone, o coitado!

Mas sabe por quê?
Encontra-se ameaçado.

Sua frágil democracia,
tão jovem, tão tardia,
mal começa a criar raízes
e já lhe rondam as cicatrizes
da coação.

Uma família encastelada no poder,
querendo a Constituição refazer.
Reedificar?
Ou demolir
o que custou tanto pra se construir?!

Querem fazer retroceder
avanços,
direitos,
conquistas.
Querem calar diferenças,
restringir,
apontar dedos,
erguer muros,
transformar preconceitos
em projetos de futuro.

E a homoafetividade?
Vão querer legislar sobre o amor?
Quem pode ou de quem gostar?
Quem pode existir?
Quem terá de se esconder
para o conservador poder dormir?

Partido Liberal?
Liberal de quê?
De quem?
Para quem?

Se a liberdade tem porteira,
se o direito tem condição,
se o amor precisa de licença,
que liberdade é essa, então?

E o Brasil segue acordado,
com um olho aberto,
outro assustado.

E eu, que não nasci para o silêncio,
não vou engolir desaforo
nem confundir medo com decoro.

Bolsonaro?
Flávio?
Bostonário marrento,
arrogante sem argumento

Ô, Brasil, desperta!
Que a democracia não se herda,
não se entrega,
não se vende
à família que pretende
fazer do país sua morada particular.

O Brasil não é propriedade.
A Constituição não é herança.
E liberdade não é favor.

Enquanto houver quem questione,
quem escreva,
quem denuncie,
quem resista pela palavra,
o Brasil insone
ainda terá voz.
Flavinha Valença
Enviado por Flavinha Valença em 25/10/2026
Alterado em 30/10/2026
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