Linha, Agulha e Caneta: Entre o fio da história e o rio da memória
Linha, Agulha e Caneta: Entre o fio da história e o rio da memória
Estava rasgada, misturada em meio aos eventos. Rasgada por dentro, por todos os cantos.
Sua alma despedaçada buscava encontrar linha e agulha. Mas o desafio mesmo era saber por onde começar: por qual ponta, por qual parte, por qual arte começaria a costurar?
Foi quando viu um caderno, papel e caneta. Não demorou a começar. Não havia por que titubear. Sem escrever, afinal, não iria a lugar nenhum.
Era através das palavras que seria capaz de costurar presente, passado e um futuro a planejar. Sua cabeça pensante só assim podia remendar o fio da história, o rio da memória, tecer sobre as cenas inglórias e as glórias que havia para contar.
Se quem conta um conto aumenta um ponto, quando se trata de costurar a própria vida, cada ponto acrescentado vale mais do que um tecido remendado
Costurou, costurou, bordou.
Ou melhor: escreveu, escreveu, revisou, sublinhou. Selecionou fatos, buscou correlatos, pontuou.
E, pouco a pouco, aquela alma tornou-se uma colcha de retalhos, relatos, atalhos, alhos, bugalhos e louros. Muitos louros a colorir seu imaginário.
Flavinha Valença
Enviado por Flavinha Valença em 21/09/2026
Alterado em 21/09/2026